• 28 de junho de 2018

SERVIÇO DE ABORDAGEM SOCIAL CELEBRA A DIVERSIDADE COM EQUIPE ESPECIALIZADA PARA LIDAR COM PESSOAS LGBTI

SERVIÇO DE ABORDAGEM SOCIAL CELEBRA A DIVERSIDADE COM EQUIPE ESPECIALIZADA PARA LIDAR COM PESSOAS LGBTI

1024 576 Instituto Ipês

 

Entre as equipes formadas para o Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) promovido pelo Instituto Ipês, a Equipe Diversidade é a encarregada de lidar a população LGBTI em situação de vulnerabilidade social.

Composta por indivíduos que se identificam em diferentes formas de gênero e orientação sexual, a principal missão da equipe é de trazer para políticas de assistência social para lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexos em risco social ou em situação de rua.

A facilitadora e mulher trans Cris Andrade, de 60 anos, conhece a vivência das pessoas LGBTI em situação de rua. Cris esteve sem um teto para dormir durante parte dos anos 1980, depois de sair de casa por conta do preconceito. Contratada pelo Ipês, a facilitadora considera que ainda está aprendendo com os mais jovens “Eles [da Equipe] é que estão me ensinando”, ela conta. Para ela, estar em uma equipe formada por pessoas LGBTI é importante. “A gente fala a mesma língua, então é mais fácil de se entender”, afirma.

Para a facilitadora Rubi Martins dos Santos, de 30 anos, a inclusão de pessoas LGBTI no mercado de trabalho é uma pauta urgente. “Emprego para transexuais e travestis é muito difícil por causa do preconceito. Esse trabalho tem sido um divisor de águas na minha vida”. A assistente social Daniela Nunes de Sousa, de 26 anos, concorda. Ela, que enfrentou dificuldades com a retificação e reconhecimento do nome ainda na faculdade, considera que a equipe ser integrada por pessoas trans é bom também para o atendido, que pode se sentir representado nessas pessoas. “É muito importante que as pessoas trans tenham contato com outras pessoas trans que estão em uma posição de não-marginalidade”, ela pontua. Rubi acrescenta: “A pessoa pensa: Nossa, tem uma pessoa igual a mim trabalhando”.

Mineira, Rubi, que se identifica como mulher trans, recebeu apoio do CREAS Diversidade para não cair em situação de rua em Brasília. Para ela, o risco das ruas é ainda maior para as pessoas LGBTI. “Essas pessoas já são discriminadas normalmente. Em situação de rua ainda mais.” A assistente social Daniela Nunes completa: “É uma classe que ainda sofre com um olhar muito marginalizado. A gente levar para elas a política pública e cidadania é muito importante.”

Segundo o coordenador da Equipe Diversidade, Carlos Tikin, de 39 anos, a educação de pares, com uma equipe formada por LGBTIs e também atendendo a esse público, é caminho para o sucesso do trabalho. “A gente consegue se entender, falando a mesma língua, em um acesso mais informal, que talvez uma pessoa hétero cisgênero não conseguiria alcançar”.

O Serviço Especializado em Abordagem Social é promovido pelo Instituto Ipês, por meio de uma parceria com a Secretaria de Estado do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEDESTMIDH). Para denúncias, disque 100 ou entre em contato pelo (61) 3322-1441.